sexta-feira, 14 de julho de 2017

Consumo e Libertação

Esse consumo frenético, insaciável, como um fluxo demasiado cómodo - é tão fácil aceitá-lo, acomodá-lo, incorporá-lo. Difícil é o caminho autêntico. Aquele em que nos jogamos para a frente sem travões, indo contra os pregos que perfuram do estômago ao céu da boca, olhando nos olhos do vazio.
Mas a liberdade dói. E ser livre é crescer. E crescer dói muito. É uma dor larga, esparramada sobre a vida, asfixiando cada quotidiano minúsculo. É uma perda. Perda de tudo. Mas um tudo que se deixa derreter nas pontas, dando azo e espaço para imaginar a superação desse esmagamento. Começa-se a adivinhar o sabor da vitória, do "finalmente livre". E uma tal delícia só pode ser escavada de areias sangrentas, gloriosamente napoleónicas no seu acutilante carácter a-histórico. É de sempre e para sempre. Será uma batalha áspera.
Esse consumo, essa negação do vazio, é anti-liberdade. Porque é doce, gordo, viscoso. Envolve-nos num mel emburrecedor, afastando-nos da luta pelo crescimento e pela libertação. Recusá-lo tem de ser uma certeza, tem de ganhar um estatuto categórico.
A liberdade custa.
Até breve

Sem comentários:

Enviar um comentário