quinta-feira, 22 de junho de 2017

Criação e estrutura

Todo o fluxo produzido, seja na linguagem, seja na bio-política, seja no inconsciente, é repetido e reconstruído. Os olhares que embandeiram significantes despóticos caem sempre na armadilha de fixar as categorias sem navegar primeiro na própria particularidade, perdendo o contacto com o problema fundamental: o void do sentido. Essa busca contínua, também ela um fluxo oriundo de uma máquina e orientado para uma máquina, que vê no absoluto um plano horizontal em que pode então construir, esquece que qualquer estrutura funciona como linhas entre pontos, sem faces mas com limites.
Nestes limites habitam as situações puramente contingenciais que abanam o edifício, obrigando-nos a repetir discursos numa nova organização, criando a nova descrição e ao mesmo tempo o contexto dessa descrição. A fixação é temporária, anti-metafísica e metafísica ao mesmo tempo, uma necessidade pré-reflexiva, mas vazia de conteúdo. Para si reclama apenas uma existência necessária, seja ela qual for.
Está é a obrigação filosófica que nos empurra e atira para o delírio da especulação. O melhor dos delírios. O desregulado, criador, contra a moral e contra a causalidade. Virado sempre do avesso, mostrando-se e afirmando-se de forma descentrada. As categorias não têm território, espalham-se ao longo do fluxo criador de conceitos, de sentidos, de jogos de linguagem.
Até breve.

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